domingo, 25 de Outubro de 2009

Não podemos voltar atrás e fazer um novo começo...

Mas podemos sempre recomeçar do ponto onde estamos

e tentar um novo final...

terça-feira, 20 de Outubro de 2009



Um dia a brisa levará a música que toco,

falará de ti a quem não entende

e teremos morrido em vão...

segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

Acabei de ler um livro de neurobiologia em que eram referidas, constantemente, as relações directas entre aquilo a que chamamos "físico" e aquilo a que chamamos "psicológico".
Reza o dito livro que, toda e qualquer sensação se reverterá obrigatoriamente numa consequência física, boa ou má consoante a sensação.
Assim, por hipótese, sentimentos de tristeza e raiva farão produzir baixa concentração de serotonina que se traduzirá em diversas formas de mal estar físico.
Ao contrário, sentimentos de alegria e sucesso, paixão e bondade, farão aumentar a concentração da mesma substância tendo como consequência um bem estar físico.
Pois digo eu, que tão certa como a frase que desde sempre nos habituámos a ouvir: "NÓS SOMOS O QUE COMEMOS", é também esta outra que nos deveria fazer parar para pensar: "NÓS SOMOS O QUE SENTIMOS".
Por isso, é melhor irmos abrindo o nosso coração, antes que um cardiologista o faça...

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Saudade... é o amor que ficou...

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

Quando estou contigo desligo-me das coisas pequenas e reais e sinto que Deus está a chegar...
Quando estás comigo eu sou o próprio Deus feito gente a transbordar de cor...

segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Faz hoje 6 meses que o meu pai morreu. Desde então tem-se tornado cada vez mais difícil lidar com perdas irreversíveis. A morte do meu pai fez-me sentir na pele uma revolta contra o tempo, que nos rouba definitivamente momentos bons e felizes, para sempre intocáveis. Acordo muitas vezes a chorar por esses momentos.
Há dias, em conversa com uma amiga, dizia-me ela aquelas coisas sensatas que toda a gente diz nestas ocasiões: que eu tinha que me sentir feliz por todas as coisas boas que se passaram... que me devia sentir grata e enriquecida por terem acontecido... e que talvez não fosse má ideia tomar um antidepressivo para dar um empurrãozinho...
Quando lhe estava a responder, aconteceu uma coisa muito engraçada... Comecei a frase assim: "Sabes, desde a VIDA do meu pai... (...???!!!), ...ops...desculpa... queria dizer desde a MORTE do meu pai que..."
Acontece que nada é por acaso nesta vida e fez-me pensar que realmente os últimos tempos de vida do meu pai eram mais uma morte. E que se calhar, agora, onde quer que ele esteja se sentirá mais vivo e feliz. Quero acreditar que sim.
No entanto, não há remédio que apague a dor da saudade. Sofremos sempre, não por aquilo que se viveu, mas por tudo o resto que foi sonhado e nunca se cumpriu.
Obrigada, pai! Por continuares a ensinar-me que cada minuto é precioso. E que o amor não foi feito para se guardar numa caixa, mas sim para se espalhar. Bem como o sorriso e o peito puro!
Beijo à esquimó.

quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

Há quem diga que as pessoas nunca mudam. Pois não concordo. Acredito que muito da nossa essência se mantém, mas mal seria de nós se não evoluíssemos nunca.
Acabei de ler um livro que diz que nada como um nascimento ou uma morte para alterar os nossos conceitos e a nossa maneira de olhar a vida. Pois concordo em absoluto...

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

O pai e a filha iam de mãos dadas. Dadas um ao outro. Ela dava-lhe a mão como que a pedir colo... ele dava-lhe a mão como se fosse uma casa... uma casa grande e segura onde tudo era bom e terno. E sorriam um ao outro de mãos dadas.
E assim foi sendo sempre... o tempo a passar e as mãos sempre dadas... a sorrirem.
Num dia triste o pai adoeceu e as mãos tolhidas do corpo doente já se não davam da mesma maneira. A filha beijava-lhe a testa como que a dar-lhe a mão. Dele, não se sabia se a recebia...
Num dia ainda mais triste em que o corpo não aguentava mais aprisionar a alma que se quer livre, a mão do pai abriu-se e a filha agarrou-a com força, como que a dar-lhe o que fosse preciso... Então do rosto do pai escorreu uma lágrima e partiu... Dela, não se sabe mais nada...

domingo, 26 de Julho de 2009

- Fala-me dele, falas?
- Está bem, mas com uma condição: não me interrompas...


Ele ria com os olhos... estava sempre a rir com os olhos... a vida para ele era uma festa vivida a cada dia. Nunca se exaltava, trazia consigo a calma da brisa morna de um fim de tarde de Verão. Tinha sempre uma palavra meiga... uma piada... Cheirava a perfume e chamava-me "Voca". Só ele me chamava assim... Quando passeava com ele, os amigos pareciam saltar, quais pipocas, de todos os cantos e recantos da rua. Todos gostavam muito dele... Então dizia-me: "Os amigos são um tesouro!"... e os olhos a rirem à gargalhada... Foi ele que me ensinou a ter o coração grande. Assim como no desenho. Tão grande que às vezes nem cabe dentro de mim. "Faz o Bem, apesar de tudo, Patanisca" - dizia-me... e ria... ria muito... com os olhos... e fazia-me rir também. E por causa dele hoje sinto muitas coisas e sou muitas coisas. E digo e mostro o que sinto e sou. Tenho muitas saudades dos olhos a rirem muito e dos abraços quentes... tenho muitas saudades de rir com os olhos...
E por causa dele eu amo. Todos os dias aprendo a amar. O amor aprende-se. Não basta senti-lo. O amor não tem tempo, vive dentro de nós e vai-se aperfeiçoando. Nenhum caso de amor é exemplo para nenhum outro. Se há coisa difícil de explicar é porque se ama alguém, mas também, não são precisas razões para amar. Ama-se e pronto. Às vezes nem se quer, quase nunca... E foi assim quando os lábios se tocaram. Foi como se as duas almas se tivessem misturado tanto que era como se fossem uma só... porque só os meus lábios são iguais aos teus...

sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Hoje é um dia triste...
O vazio ocupou todos os espaços
e na casa grande e deserta
resta agora apenas o eco dos passos...

Hoje é um dia triste...
duplamente triste...
preciso o teu colo mais do que nunca
só para ficar assim... calada

sábado, 18 de Julho de 2009

Às vezes basta um pequeno gesto para finalmente entendermos o que ainda não tínhamos entendido...

Apesar de as coisas terem estado sempre à nossa frente...

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Continuo a fingir, dia após dia, que sou uma pessoa normal desde que foste embora...
Pois não sou. Paciência para todos aqueles que querem que eu seja. Não consigo ser.
Os sorrisos escondem-se em memórias que não quero apagar, mas que o tempo se encarrega de ir guardando, aos poucos.
Sinto tanta falta de ti que nem sei dizer em palavras como é...
Acordo muitas vezes na noite escura a sonhar-te ainda aqui...
E quando acordo mais valia ter continuado a dormir.
Porque ainda não sei perder-te. Logo tu, meu Rei, meu Deus, meu tudo.

domingo, 12 de Julho de 2009


Sabias a sal e eu fui feliz naquele momento...
Fui feliz quando os teus olhos sorriram para mim a dizerem coisas caladas há muito tempo...
Nunca serás breve porque permanece na minha pele o teu cheiro, mesmo sem querer...

quarta-feira, 8 de Julho de 2009

A Lua Cheia mexe comigo... ainda me deslumbra... gosto de ficar a olhá-la demoradamente...
E eu sei que isto soa a piroso mas paciência, porque é mesmo assim.
E já poucas coisas me deslumbram... já poucas coisas mexem comigo...
Mas quando está Lua Cheia parece que fico assim meia nua. O meu corpo despe-se, frágil ao seu lado misterioso. E então desgraço-me, escrevo coisas com o vocabulário da nudez, de mãos dadas contigo dentro de mim. Como esta, por exemplo:

"Ainda me pareces real e ainda sinto o cheiro a fruta fresca no teu sorriso...
Se um dia regressares que seja aos meus olhos, brilhantes de te verem...
Se um dia regressares que seja assim devagar, de respiração pausada e meiga...
Se um dia regressares, meu amor, que eu te regresse também,
dedilhando baixinho no piano melodias breves mas febris..."




segunda-feira, 6 de Julho de 2009

As horas não páram.
Vão correndo, pontuais, incansáveis e determinadas...
Levam-nos tudo.
Todos os momentos, tristes ou de contentamento, mas que jamais se recuperam...
Tudo morre a cada minuto. E sempre nos esquecemos de dizer adeus...

domingo, 28 de Junho de 2009

Incentivei a esperança... Abracei a fé...

Sei que um dia serás meu, não me perguntes porquê, apenas sei...

E sei porque sinto o teu cheiro nas artérias que me irrigam os sentidos...

E sei porque ouço o teu toque entre os horários mudos dos dias...


sábado, 27 de Junho de 2009



Era longe quando te soube dentro de mim...

Em terras distantes comprei-te umas meias verdes e abracei-te até hoje...

Quando nasceste trazias a boca desenhada de teu avô e como ele quero ver-te sorrir sempre, ainda que por vezes não seja fácil sorrir...

Levo-te ao colo para o mundo dos adultos onde terei que te largar... devagar... a passos lentos... com todo o tempo do mundo...

Celebro contigo cada som, cada verso, cada cheiro, cor ou traço... de tanto te amar e mais ainda!

Obrigada, filho!

sábado, 20 de Junho de 2009

Eras tu afinal sempre.
Descubro que nunca partiste...
Tenho os braços pesados de todos estes abraços por te dar
e o peito cansado, deste amor, sem rede e triste...

Afogada em cicatrizes mal curadas
acordo, de um sonho, na noite quente...
onde o mar irrompe, sem convite, os meus lençóis
e sinto os teus lábios de veludo novamente...

E é sempre assim a toda a hora:
vou-te sonhando e morrendo...
e sigo de mãos dadas com o peso deste amor
às vezes chorando, outras, renascendo...

sexta-feira, 19 de Junho de 2009

O que hoje parece desnecessário amanhã pode ser indispensável...
Parece-me contudo que existem alguns "desnecessários" que o serão para toda a vida...

terça-feira, 2 de Junho de 2009



Ai pai... porque me ensinaste a ter a alma na boca?...

Pela primeira vez tinha tantas imagens para este post que me foi difícil escolher e, pela primeira vez, um só post vai ilustrado com várias imagens.
Num espaço de quatro dias os meus filhos foram vìtimas de tentativa de assalto, em pleno dia, depois de terem saído da escola. Nenhum polícia no local...


Num bairro meu amigo no espaço de um mês foram assaltadas três moradias. Ainda não foi lá colocada qualquer tipo de vigilância que tranquilize/proteja os moradores, na maioria idosos...





À porta da minha escola são frequentemente molestados alunos e também já aconteceu alguns professores serem vítimas de encarregados de educação enraivecidos... no police...


A quem serve então a Polícia de Segurança Pública?!...
Qual o público que sente seguro?
Talvez os assaltantes ainda a monte...

Mas os condutores que se cuidem... caso tenham transgredido e praticado um delito menor e se dirigirem voluntária e civicamente à esquadra a fim de cumprirem o pagamento das suas infracções, correm o risco de serem tratados como os criminosos que "os da segurança pública" não conseguem apanhar...



Bem dizia o meu santo pai... que as fachadas não servem para nada...e escondem muitas vezes más índoles, maus princípios e péssimas condutas...
E cala-te boca, senão ainda vais presa...
Este é o mundo que temos... por isso eu sou de outro...











quinta-feira, 28 de Maio de 2009

NOTA: Desconheço a razão pela qual os comentários ao último post foram eliminados. Agradeço a quem os escreveu o favor de voltar a fazê-lo. Desculpem e obrigada...

quarta-feira, 27 de Maio de 2009


E há sempre uma onda que me fala de ti...
E sem ser Verão ainda
abraço-a longa e demoradamente só para sentir o teu colo...
Por momentos toda a minha vida é aquela rebentação...
Por escassos segundos quase te beijo...
E é por isso que trago nos bolsos o cheiro do mar...

segunda-feira, 25 de Maio de 2009

E é aquela mão trémula e frágil, outrora viril e forte, que lembro...
É a dor que chega, selvagem, agudizando memórias que ainda fazem doer...

quinta-feira, 21 de Maio de 2009


Gosto de pensar que vou passar por esta vida e não o contrário...
Gosto de trazer comigo esta vontade de tanta coisa, mesmo que nunca as chegue a fazer...
Gosto de sentir os sabores e os cheiros, mesmo quando as cores são o preto e o branco...

sábado, 16 de Maio de 2009

Abandonar uma crença é uma coisa extremamente desequilibrante.
Dá muito jeito ter crenças...

quarta-feira, 6 de Maio de 2009



A mão mais amiga é normalmente a que temos no fim do braço...

segunda-feira, 4 de Maio de 2009



Não tenho escrito. Porque sempre me apetece escrever sobre ti...

Havia uma casa na grande tangerineira onde eu me sentia bem. Onde me refugiava e de onde podia ver o mundo.

O tempo passou. A tangerineira ficou mais pequena e já não existe casa onde possa esconder-me. E nem o mundo tem muito que ver. Pelo menos por agora...

sexta-feira, 3 de Abril de 2009


E eu era muito pequena e queria porque queria uma caixa de lápis de cor.
Era tudo o que eu queria. Depois de todas as prendas a cara fechada. Sem cores. E o pai perguntou da tristeza. Falei-lhe das cores que não vinham...
Saíu de casa com o seu sobretudo que o protegia de tudo, na noite já fechada a preto e branco, e voltou colorido, com aquela que seria a minha primeira caixa Caran D' Ache. Não soube desenhar-te, Pai. Começo agora, aos poucos, em traços leves, a perceber que não existem sobretudos que nos protejam. E que as cores eras tu. Agora eu, a preto e branco.

quarta-feira, 18 de Março de 2009

Eras o maior. És. Não me sei despedir. Não quero. Não consigo. Estiveste sempre lá para mim...
A mesma direcção, o mesmo sentido, os mesmos valores. Em todos os instantes.
Fala comigo. Não me deixes aqui assim. Não sei ficar sem ti. Sem te olhar. Sem te tocar.
Será que agora voas? Com asas de verdade? Daquelas que me ensinaste?
És a minha vida toda. Desde que nasci. E agora? O que fazemos às recordações?
Passam a ser álbuns de retratos?
Pai... tudo o que aprendi com os teus olhos... é tudo o que sou... ou tento ser...
mas... já não tenho casa...
A minha médica diz que todos temos o direito de nos perdermos e de nos descompensarmos, principalmente em situações de crise...

A minha mãe diz que devo ir buscar força à Fé...

O meu filho diz para me agarrar à família e aos amigos que estão perto...

Eu... não digo nada...

Ainda não acordei para as palavras.

terça-feira, 17 de Março de 2009


A morte é sobre ir-se abaixo. Temos de nos ir abaixo para nos podermos reconstruir.

O meu pai morreu e eu já não sou a mesma pessoa. Sou uma pessoa sem pai.

Já nem sei bem o que sou. Nada agora faz sentido.

A música tem outro ritmo que não é o meu.

Alguém apagou as luzes e eu não vejo nada.

A não ser o medo. E a tristeza que queima.

terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

O2

Uma molécula apenas. Dois átomos juntinhos. Vitais.

Vende-se em garrafas artilhadas. 3mg durante a noite/1,5mg de dia.

No entanto não penetra em brônquios congestionados, cansados e sem força para exsudar.

Tira-me o ar, vê-lo ali comprimido nas garrafas e, em falsete, tentar e não ser já capaz de oxigenar as células que se fazem frias e roxas...

Tira-me o ar sentir que o oxigénio deixa de ser vital quando já não se tem força...

Quase que parece aqueles amigos que só estão na altura dos copos...




sábado, 14 de Fevereiro de 2009



"Amante" é alguém ou algo que nos faz namorar a vida...

quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

Ficamos estupidamente impotentes com a morte.
Encarcerados num turbilhão de sentimentos de angústia, tristeza, culpa, pequenez, revolta e dor. Muita dor...
Por isso acredito no Pai Natal e Na Fada dos Dentes e até no Coelho da Páscoa.
E em tudo o mais que sirva de paliativo.
Mas principalmente em Anjos da Guarda e no meu Deus com riso de criança,
sempre comigo...

segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

É neste meu espaço em que sou livre que amo as palavras que não digo.
Aqui, onde mora a noite e as crianças dormem, exorcizo idéias que teimam em me acompanhar.
Danço e invento melodias surdas que me adormecem...
Simultaneamente só e acompanhada por múltiplas cores a quem dou abrigo.
Perdida entre verbos complexos como o verbo "amar"...
descobrindo afinal o seu sentido,
ou simples advérbios que travam o tempo devagar
e me recordam o sabor do que foi vivido...

segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Gosto de ti todos os dias...
Quando te penso e quando não te penso...
Na leveza dos momentos felizes e até nos impossíveis...
Gosto do riso dos olhos que calam palavras,
do que fazes e do que deixas de fazer...
Gosto da multidão que és...
E sei que jamais conseguirei adormecer a certeza
de gostar de ti todos os dias que me faltam...

quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009



É mais POSITIVO dizer aos outros que nos magoaram do que atacá-los...

quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Ano Novo! Casa Nova! Vida Nova!...

Sempre vivi aliando a realidade à fantasia, essencial para mim.
Sempre achei que o sonho era a brisa apimentada dos meus dias.
Continuo...
Os anos que por mim passam não me roubam a levitação nem o êxtase.
Abraço, crente, uma sensação como se fosse a primeira vez.
Tudo é sempre uma primeira vez, ainda que repetido...

quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009

Vistam-se as estrelas a rigor,
icem bandeiras, toquem melodias...
renovem-se as preces de todos os dias
e ainda que a medo solte-se o amor...
É o novo ano que chega
trazendo consigo sorrisos escondidos,
sons enfeitados, telas por colorir...
e que a alma, ávida de esperança,
corajosa abrace o que há-de vir!

domingo, 21 de Dezembro de 2008

Natal significa "nascimento".
Que neste Natal façamos nascer coisas boas.

quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008



Ontem caíu um dente ao Martim. Já não devem faltar muitos. De repente dei por mim a pensar que cada dente que lhes caía era tão normal que nem me apercebi que um dia seria o último... E assim vão crescendo sem darmos conta, atarefados que andamos com "coisas muito mais importantes"...

Resolvi então dar muita importância a este dente que ele insistia em pôr debaixo do tapete para a Fada dos Dentes lhe deixar um euro em troca...

A Fada, ocupada que estava em corrigir testes, esqueceu-se da troca e o dente permanece debaixo do tapete... levá-lo-á talvez hoje para o reino dos dentes, lá, onde se fabrica o marfim...

Mas a questão é bem outra... é novamente o tempo que não pára. Teimoso e rápido demais. Leva os dentes de leite e com eles as crianças, para se fazerem Homens.

E por isso os dentes que faltam cair ao Martim serão mais valorizados. Desde o dia em que começarem a abanar, devagarinho, até estarem quase a cair... Que é para ver se o tempo não corre tão depressa e ainda vou a tempo de deixar os testes de lado e embalar os meus filhos...

sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008



Tínhamos quatro ciclos de vida para cumprir... e ainda assim era pouco...

quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Não sabia que era revolucionária. Contestatária sim, mas revolucionária não. Quando era pequena todos diziam que eu "era do contra" , mas nunca me senti "da revolução"...
Hoje sim. Abraço irrefutavelmente uma luta. Ou várias. Mas hoje, em concreto, a luta pela educação pública e digna. A luta por um sistema que vise educar gerações responsáveis e conscientes. A luta por princípios básicos. A luta pelo que é justo. E dou a cara e a alma por aquilo que acredito. Como acredito no amor. E dou a cara por ele. E a alma.
Nunca "areei" o que quer que fosse... nem conhecia sequer tal palavra (assumo a ignorância...)
Estreei-me com uma panela de fondue... nada melhor... entranhada de óleos fedorentos...
Batalhei horas para ganhar o brilho de uma panela que parecia rir de mim...
E depois do esforço e do tempo despendido pensei nas horas mal gastas que a vida tem...

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Quantas vezes me disseste para não fazer isto ou aquilo?
Quantas? Essas tantas me avisaste....
Mas escorrego tantas outras. Os dias são mesmo assim.
E nada seria o mesmo se da queda não vingasse um melhor pedaço de mim...

terça-feira, 18 de Novembro de 2008

Tu sabes como se ama um som...
Relembra comigo o sabor das maçãs...
acres mas maduras
ácidas mas perenes
como o sabor da nossa paixão...
Deves estar a chegar...

A aragem lembra-te.

E eu quero confiar nessa memória que semeámos, tu e eu...

terça-feira, 11 de Novembro de 2008

Já terei morrido muitas vezes...
sempre que o frio me entranhou a alma
e me sagrei espessa como o caos...

domingo, 9 de Novembro de 2008

Alguém devia dizer à Senhora Ministra da Educação que a escravatura em Portugal foi abolida em 1869 (facto de que muito me orgulho, sendo portuguesa, uma vez ter sido dos primeiros países a decretar esse princípio nobre).
Talvez alguém o devesse dizer também ao mui nobre Primeiro Ministro, principal mentor e ditador desta reforma educativa a que a sua Ministra obedece cegamente, enquanto sua "empregada".
É que os professores estão a ficar cansados. Mesmo muito cansados. De tantas reformas, umas atrás das outras, que vão minando o Ensino em Portugal cada vez mais.
Estão a ficar revoltados "à séria", porque se sentem "escravos do papel", escravos de horas perdidas em relatórios ridículos e grelhas amorfas, obscenas e impraticáveis. Escravos de uma política economicista e tecnocrata. Escravos de uma postura "anti-docente" praticada por este governo que os desrespeita.
Os professores querem ser livres para poderem fazer aquilo que escolheram fazer: Ensinar a Aprender.
Ontem naquela manifestação de 120.000 professores não pude deixar de pensar numa coisa: estavam ali reunidos muitos licenciados, muitos mestrados e até muitos doutorados...com tanta sapiência unida, saberemos concerteza "desalgemar-mo-nos"...
Alguém devia avisar a Senhora Ministra...

sábado, 8 de Novembro de 2008



"...Há quem tenha a mania de escutar o que a alma diz...

...e há quem seja alheio a ela e seja muito mais feliz...

...se te perco, perco o Norte e todos os outros cardeais...

...perco a alma, perco o peito, eu nem sei direito o que eu perco mais..."

quarta-feira, 29 de Outubro de 2008


Antigamente o Professor era um mestre.

Levantavamo-nos das carteiras assim que ele entrava para lhe dar os bons-dias.

Depois acharam que isso reflectia um Estado de direita e que incutia idéias fascizantes na cabeça das crianças...

Hoje o Professor é um palhaço.

Os alunos continuam a levantar-se das carteiras, mas sempre que lhes apetece, por tudo e por nada, até para lhe bater...

As batas brancas que poupavam as roupas e mantinham democraticamente equidade entre os discentes, escondendo de igual forma marcas caras e debotados, desapareceram...

A noção enraizada de que aprender era necessário ao futuro de cada um, desapareceu...

O respeito a quem nos ensinava a aprender, também desapareceu...

Apareceram outras idéias...

E depois de reformas atrás de reformas surge agora a mais fascizante de todas, ainda que por incrível que pareça, seja fomentada por um partido dito de esquerda, democrático e liberal...

Agora o mestre de antigamente vive estrangulado, num regime burocrático e opressor, que viola de forma grosseira todas as regras a que o processo de ensino-aprendizagem deve obedecer.

E eu pergunto: até quando?...


Sou esta estrada que não acaba

engenho e luz a insubordinar a alma...

Sílaba a sílaba me descubro a cada dia

e quando já pensava saber tudo

eis que me celebro ao vento, inteiro e limpo,

como tu...


quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Será hereditária esta complacência? Terei herdado este sofrer calado?...
Queria agora que a minha citosina trocasse de par, para maiores serem as combinações e probabilidades...
Não aceito esse gene passivo que me atormenta. Agarro um outro, congénito ou não, que me levará a maiores conquistas...
E montada num cromossoma rebelde, sonho vitórias coroadas de paz, de riso e de esperança...


Na quinta do meu tio havia um cantinho onde eu inventava brincadeiras. Era pequena. E tinha sonhos grandes que nunca agarrei. Mas a mão forte de meu pai permanece na minha memória...quando me arrancava do lago dos girinos e me punha às cavalitas porque eu tinha medo das lagartixas... Ainda hoje tenho...rastejantes pequenos mas assustadores...

segunda-feira, 20 de Outubro de 2008



Às vezes sinto-me "num cemitério de pianos"... Com TUDO à minha frente e sem poder fazer NADA...

Caio de exaustão, de joelhos sobre a areia quente, e peço-te colo...

sábado, 18 de Outubro de 2008

Ainda volto a lhe escrever. Uma vez mais. Ainda que parcas as palavras. Ainda que seja morto o som da noite do beijo... Podia pedir-lhe baixinho mais um dia... mas não pode mais meu coração olhar p'ra mim... E assim me despeço, minha poesia, sai do meu peito e semeia emoção noutro lugar... Canta alto e leve... ama por favor... sempre mais...
É esta cinza que dói que hoje me embala. E eu sei que um amor só é grande se for triste (disseram-me)... mas não posso mais levar este barco...
É esta a nossa hora...
Saiam todos... nós somos muita coisa... mas não vamos falar sequer... apenas fazer um abraço apertado, fechar os olhos... e fingir que somos apenas papoilas ao vento a dançar...

sexta-feira, 17 de Outubro de 2008



Hoje lembrei-me de coisas de infância. Coisas que não me lembrava há muito. O Miguel Frasquilho a tocar piano comigo na Academia e um livro que a minha mãe me lia de noite e que eu adorava: "O boneco Teófilo"...
E depois ri sozinha das duas lembranças... " Miguel Frasquilho e o boneco Teófilo"...

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Tive um dia uma avó. Daquelas que têm caixas de bolachas, se vestem de preto, sabem tudo sobre as missas e escondem notas de escudos para distribuir pelos netos... Tive uma avó assim... que me mimava mais que tudo e me acordava com uma bolacha Maria nos lábios a dizer: "acorda, meu doce..."... Essa avó teve que ir para um lugar que eu não queria e vi-a partir sem nada poder fazer para a manter aqui... Hoje sei que continua comigo. Até hoje, 25 anos passados, continua pertinho... ainda me acorda de vez em quando e me deita nas noites mais difíceis. Sou muitas coisas por causa dela. E por causa dela também sei que o colo acaricia a alma, tal como o cheiro a limão do bolo que havia quando eu era menina...



Gostar de alguém... quando ficamos com aquele ar asmático, aparvalhado, como se de repente deixasse de haver vascularização cerebral... e estáticos afundamos no olhar de alguém... quando o infinito é aquela pessoa... quando acreditamos sempre... e tudo parece apenas uma diástole sem consequências... é bombear o que faz sentido... sístoles rítmicas ou arrítmicas mas perfeitas... gostar de alguém...

domingo, 12 de Outubro de 2008

Li há pouco um qualquer texto sobre o "namorídeo"... expressão usada para aqueles que nem namoram nem deixam de o fazer... estas relações ditas modernas em que cada um tem a sua vida e se encontram quando não há mais nada interessante para se fazer...
Peço desculpa por ser do tempo em que se chegava a casa e era bom o cheiro aconchegante do jantar e igualmente boa a conversa à mesa, partilha entre pais, irmãos e filhos, mas mais importante que tudo, entre gente que se amava e efectivamente NAMORAVA...
Namorar é afagar o outro, entregar-se e fazer o pino para lhe roubar um sorriso...
Cresci a ver o "namoro" dos meus pais e a querer namorar assim...

sábado, 11 de Outubro de 2008



- SAWABONA!

- SHIKOBA...

quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Andava a evitar tocar no assunto que me consome, a (des)avaliação docente, mas é mais forte que eu... A pressão que este "modelo" exerce sobre nós, professores, obrigando-nos a assumir onus de realidades que nos transcendem, valorizando cargos em detrimento de competências científicas, técnicas e pedagógicas, incentivando reacções de melindre entre colegas e, baseando-se em documentos demagógicos que apenas visam o protagonismo de actores políticos (com vista a angariar militância junto de uma opinião pública alheia à verdadeira realidade escolar), ESTÁ A DAR CABO DE MIM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
O que se passa não é mais que uma estratégia de interiorização de obediência, levando os professores, por natureza cumpridores, a uma servidão cega (já no "Admirável Mundo Novo" se falava algo do género... robotizar mentes, fabricar mão de obra, dominar, esmagar, etc etc etc...).
Vejo-me hoje num sítio que não é o meu. A Escola existe como veículo de Ensinar, Formar e Educar, e não como meio burocratizante que demite os professores daquilo a que se propuseram e dedicaram incondicionalmente ao longo da suas carreiras até hoje.
É URGENTE parar! E que pela primeira vez, na história da carreira docente se ouçam a vozes dos professores dizerem: NÃO FAÇO!!!!!!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, 2 de Outubro de 2008



Os anos colam-se à pele ,

indeléveis,

únicos e nossos...

segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Às vezes é preciso voltar para ver que tomámos a decisão certa em ter partido...

domingo, 21 de Setembro de 2008

Hoje em dia fidelidade... só nos aparelhos de som...

quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

O longe nunca seria tão bom se não pudessemos sempre voltar para casa...



Quase tudo tem conserto... ainda que no momento não o saibamos...

segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Os beijos são homeopáticos...

quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

É assim o amor puro. Ama com febre, sem limites nem barreiras. Entrega-se incondicionalmente. Basta-se a si mesmo porque deseja apenas amar!
Vivam estes amores em extinção!

Devia fundar-se uma associação em prol do amor puro. Como aquelas organizações ambientalistas que defendem os animais e protegem a Natureza.

quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

Tudo é apenas tempo...

sábado, 9 de Agosto de 2008



De há tanto tempo caladas, estavam roucas as teclas do meu piano. Como vozes escondidas, silenciadas no peito.

Toquei-lhes ao de leve, quase com medo... responderam sorrindo, contando da saudade de se fazerem ouvir.

Então a casa ficou mais alegre e as crianças riram. Entoando com os olhos cantigas de amor...



Hoje estou feliz. Agora. A esta hora. E é sempre e só assim que se consegue. Não existe SER feliz. Apenas ESTAR. Aqui e ali. Momentos fugazes.
Que ao querermos agarrar tornamos eternos numa memória carinhosa que de vez em quando chega para nos fazer cócegas...

quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Quero partir... esta não é mais a minha casa.
Sem abrigo,
partirei em busca de uma
cujo chão me embale
e no tecto se desenhem loucas estrelas...



Mãe...
pilar de força,
mural desenhado pela vida...
vaso de nós, flores do campo,
ávidas de sol...
É um tempo leve,
este em que o sal se faz tua boca
e a areia me corre nas veias devagar...

quarta-feira, 23 de Julho de 2008



I'm in the middle of nowhere...

somewhere between something and something else...

segunda-feira, 21 de Julho de 2008

E agora tu...
Ninguém me avisou que ías chegar
e de repente acordar as manhãs...
Icem-se as velas
e façam-se as naus ao mar
que estou pronta para partir...
Doravante, na minha face,
o sal será o das ondas apenas...



E a vida torna-se para todos um tapete vermelho, qual passerelle... E desfilamos todos os dias... também nós, modelos quotidianos duma existência, ora pacífica ora feroz... uma fachada à vista e outra dentro de nós...

domingo, 20 de Julho de 2008

A capacidade de entrega é uma qualidade que todas as pessoas têm mas nem todas conseguem usar. Conseguimos entregar-mo-nos de corpo e alma a um trabalho, a um projecto , a uma causa, mas não a uma pessoa. Entregamo-nos sem hesitar a algo, mas não a alguém... Se por um lado entendo, que a necessidade de nos protegermos da desilusão nos impeça, não entendo por outro, que o medo seja mais forte que tudo o resto.
Não entendo que coisas mereçam mais de nós do que pessoas...
Hei-de entregar-me sempre. A tudo o que amar. Ainda que a queda doa, justifica o vôo...

quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Pai... este sítio onde à noite afogo a alma antes de dormir é o espaço que tenho para te falar, pois que não me ouves... a ti devo o amor, o real, o verdadeiro... o dos livros, dos filmes, acordado e a dormir... eras o "carro da gente" e isso queria dizer o colo, o colo que sempre senti a vida inteira... deixa-me dizer-te, ainda que não me oiças, que a marcha, "a não perder de vista", continua em teu nome... e que, para teu gáudio, tomei de novo o pulso da minha vida... sou os genes que me deixaste e para sempre "o riso depois da mágoa"... Obrigada, gargalhada azul...

quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Há pouco tempo alguém me falou do tempo... do tempo para aprender a saborear...
Aprendemos a conhecer cheiros, sabores, cores e momentos que nos dizem coisas...
Sei de um tempo em que tudo era paz. O relógio teimava em não passar. E eu ali...
Na curva de um tempo que se fez tarde... Hoje uso relógio. Não sei se gosto. Mas uso.
E os minutos avisam-me a cada compasso, do tempo que gasto e do tempo que ganho.
Às vezes, a contratempo, percebo que aquela hora não é a minha. Acerto o relógio ...
e calmamente, repouso na brisa da manhã seguinte à espera da minha hora...

segunda-feira, 14 de Julho de 2008



Aprendi contigo que as palavras são inúteis... que posso até falar cheia de silêncios, mas com os olhos repletos de palavras que só tu e eu conhecemos... Fazes-me falta... Faz-me falta sentir que éramos perfeitamente imperfeitos mas genuinamente amados...

domingo, 13 de Julho de 2008

E o pai da minha amiga de sempre viajou...
morreu depressa, demasiado depressa,
e eu fico com pena
de não conseguir trazer o passado
para sempre junto a mim...
Por ti era capaz de roubar uma orquestra...
havia de compôr uma sinfonia
jamais fazendo menos que o melhor possível...


Nada como um fim de tarde de Verão no meu restaurante favorito para o Estio... A brisa salgada a acarinhar as longas e deliciosas conversas... e o cheiro... o cheiro que nos embala para sítios longínquos e bons...

sábado, 12 de Julho de 2008

Qual a parte do "Amo-te" que ainda não percebeste?...
Deus leva-nos o que nos é mais querido para que não o tomemos como certo.
Gosto de lanchar com as antigas alunas do Colégio de Odivelas. O tempo não parece pesar e tudo o que é importante é a data do lanche seguinte.
Quem dera aprender de uma vez que cada dia é uma benção... Não consigo imaginar ainda uma despedida do meu presente, mas sei que como filha tardia vou ter um dia que saber... Não quero!
Alguém que eu conheço desde sempre, vai embora...
Faz-me pensar nas pessoas que eu não consigo deixar ir...
As referências são tábuas de salvação
impossíveis de largar...
não tenho a coragem nem a força que é preciso,
Deus me livre e guarde dessa hora que não sei.

quarta-feira, 9 de Julho de 2008



A cidade dos meus amigos é linda... Os dias não duram 24 horas nem as horas passam a correr quando nos encontramos... as feridas secam sem se saber como e a música dura... Sabemos, sem ser preciso dizer, aquelas coisas do sentir... e um abraço pode ser dado ou não, mas existe... Obrigada!

I'm back again to my needs...
Me, myself and I... that is the moment!

domingo, 6 de Julho de 2008



Às vezes ficar em casa e deixar o outro partir pode ser a melhor das viagens...

sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Não sou militante da dor nem sua refém,
as coisas acontecem-me, simplesmente...
Nem sempre fui tristeza...
já fui riso e brilho aqui e além,
tal como fui lágrima e sombra, naturalmente...
O ácido cítrico que a ferida fere e queima
fará a cicatriz de quem sofre porque ama.

terça-feira, 1 de Julho de 2008



Uma vez alguém me disse que as pessoas só nos fazem aquilo que deixarmos. É verdade, mas também muito injusto. Porque se continuamos ali a deixar que nos magoem, é porque acreditamos que um dia vão parar. Que lição é suposto aprender? Que devemos perder a fé no Ser Humano?...

domingo, 22 de Junho de 2008

Como fazemos para impedir que alguém nos faça doer ?...
Pedimos com jeitinho: "Por favor não me magoes"?...

sábado, 14 de Junho de 2008



Amor é talvez esta lágrima que me cai quando te lembro...

Não sei explicar o que é sentar-me aqui e escrever, sabendo que alguém, que não sei quem, poderá ler... Mas sei o que é abandonar-me numa coisa, sem rede, só porque sim...
É parecido. De repente a hora pára e apetece "escrevinhar" para fora o que nos vai dentro. E sem pensar no depois, faz-se.
Sou muito assim em tudo. Umas vezes corre bem. Outras nem tanto. Mas acredito e sei que naquelas que são (foram) mesmo importantes, valeu a pena arriscar. Vale sempre. O risco é o traço que deixamos. A cor do nosso pó.

quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Eu mesma. Os meus sons e as minhas cores.
E quem não gostar que não fique.
Sou eu. Assim. Inteira.
A rir com o sol da manhã,
o cheiro da terra molhada
e o êxtase de cada hora
de cada madrugada...
Nunca sabemos muito bem até que ponto magoamos alguém, pois não?
A mágoa que causamos devia ser devolvida por correio ao remetente.
Talvez assim passassemos a ter mais cuidado com o outro.
Porque quando a dor chega, passa a existir dentro de nós como se tivesse vida própria. E toma conta do nosso sono, da nossa respiração. Torna-se rainha e aniquila a alegria, expulsando-a para outro país... Ficamos assim seus escravos...
E é nesse desespero umbilical causado por uma dor alheia que se instalou, omnipotente, omnipresente... que percebemos o poder das relações humanas.
De que cor é a inspiração?
Hoje veio-me à memória
o amarelo dos girassóis
num fim de tarde de Verão...
Podia ser o verde das maçãs...
Mas o azul...
é sempre o azul que chega para me serenar...

terça-feira, 10 de Junho de 2008

Posso correr agora de pés descalços...
sentir nas palmas as cócegas da estrada aberta
agarrar a ponta de um qualquer arco-íris
e ir para onde ele me levar...
numa cor qualquer...
mais quente que esta onde vivi.

quinta-feira, 5 de Junho de 2008

A todos os que passam tempo a ler-me e a deixar a sua palavra, muito muito obrigada! Porque é para isso que este espaço serve. Para eu desabafar, e para quem quiser , comentar esses mesmos desabafos. Beijos.

quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Uma página em branco é sempre uma tentação. Ocupá-la de pensamentos e sensações, desenhando letras que nos levarão, de mãos dadas, por caminhos ora belos ora feios, ora alegres ora tristes como uma morte.
Olhei a folha. Vazia ali para mim. Lembrei-me de palavras que me levariam a ti. Não quero... quem dera os pensamentos tirassem férias, quanto mais cravá-los numa folha, em traços fortes, de uma tinta inapagável como tu...

segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Descobrir-te
foi entender que afinal
sempre soube esta cor
que não esqueço...
que exististe sempre
e perdurarás
mesmo entre nuances...

sábado, 31 de Maio de 2008

A vida é uma enorme loucura...
Saber sentir não é fácil
e perdemos muitas vezes o sabor das coisas.
Mas hoje deste-me a seda leve
numa hora linda
e a tarde cresceu como nunca...
Fizeste-me lembrar
que houve um tempo
em que não podia amar-te mais,
porque não havia mais...
fizeste-me ver a pessoa que conheço
e amo ainda...
nas horas de seda como a de hoje.

quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Trazer-te-ei amanhã ainda comigo?...
Sorrirás no meu olhar?...
Serão as gotas do paraíso insistentes e loucas
ou tornar-se-ão pálidas, caducas e tristes
como o olhar de um cão abandonado
em pleno Verão?

quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Onde foi que perdemos o sorriso?
Respirava desejo...
um raio de sol...
e do nada chegou o rochedo.
Agora nada mais sinto senão sombras,
como quem vagueia sem saber onde mora...
Dá-me um pouco de mão
para eu achar a casa
e espalhar-me no amor
pequeno e meu...


Hoje caíu uma vela, ainda acesa, no meio da noite escura, para o chão de madeira do quarto. O mesmo quarto em que eu via televisão na vossa cama, entre vocês dois. A mesma cama de onde o pai depois me tirava e levava ao colo para o meu quarto. O mesmo pai que hoje pego eu ao colo quando o cérebro o engasga... Hoje caíu uma vela. Incendiou o chão. Daquele quarto. Também meu. Cheio de memórias quentes de infância. Que jamais ardem.
Sempre gostei de papoilas...
o efémero do vermelho baloiçante
a magia do sangue renovado a cada Verão,
não sabia porquê...
Hoje sei da luz suspensa
e deste ar que respiro,
desta música que não cessa
e do nome que rompe o dia
gritando bem alto a cor escarlate...
Fica sempre mais fácil quando somos dois a carregar...

segunda-feira, 26 de Maio de 2008



Sois vós, palavras íntimas, pequenas e frágeis, que me libertam os sentidos

letras desenhadas em traços fechados, trémulas e matinais

assim como que a acordar a manhã adormecida no meu peito...


E é assim que me vou,

ao encontro da bondade

e de um céu de carícias,

à procura de respostas...

É assim que me abandono,

no meu cavalo vermelho

onde viajo inteira...

Onde tudo acontece,

até o que nunca chega a acontecer.


Amar-te e não te ter é como parir um nado-morto. É conceber um amor para a vida toda, senti-lo na pele desde as entranhas, modificar corpo e alma em seu nome, dedicar-lhe voluntariamente todo o nosso tempo na Terra... e depois morrer...


Cinzenta ficou a cor do mar, do céu e do sol. Cinzentos ficaram os meus dias e as minhas noites que não se distinguem. Cinzentas são as estrelas já sem luz e o meu quarto, outrora azul...


Pinta-me um quadro, amor. Enche-o de cores e diz que me amas. Beija-me a nuca, trinca-me e coça-me as costas.


Volta a pôr as cores no seu lugar, por favor... O azul no céu, o amarelo no sol, o vermelho no sangue... Sem cores a vida é apenas um monte de restos mortais...


Agarra, meu Rei, nas tuas cores e volta a espalhá-las nos meus dias.


As crianças gostam do arco-íris...

Hoje sonhei contigo. Tinhas ao pé de ti um cão enorme que não deixava que ninguém se aproximasse de ti. Tinhas um olhar triste. Muito triste. Tentei aproximar-me por vários ângulos mas nunca consegui...

Acordei com o rosnar do cão e o coração aos pulos. Tentei voltar a dormir mas era impossível. Não me saía da cabeça o teu olhar triste. Deu-me uma vontade louca de pegar no telefone e marcar o teu número. Mas já aprendi que não o devo fazer... correndo o risco de seres tu a rosnar-me...

Sou a favor da eutanásia também no amor.

O fim sem dor, com dignidade...

Com os devidos cuidados paliativos.

domingo, 25 de Maio de 2008

Sou hoje outra e a mesma pessoa...
Sou hoje outra e a mesma pessoa. Por causa de tudo. E amo com apego tudo o que sou. Apesar de haver quem defenda que "amar com apego" é a negação do próprio amor e que só se ama incondicionalmente sem apego. Confesso não entender muito bem esse conceito. Não sou nenhum Abraão. Acredito que o apego é uma consequência natural do carinho e se isso nos faz menos cósmicos, não quero saber, porque nos faz seguramente mais humanos.
E foi assim que me apeguei a ti... primeiro o sorriso, depois o cheiro... e culminou com o toque, de todos o mais sagrado, o mais meigo, o mais nas entranhas saboreado... como não me apegar? Como não desejar este éter paradisíaco capaz de me arrebatar os sentidos? Como renunciar ao toque aveludado dos Deuses?!... Claro que me apeguei e me vinculei com todos os meus poros abertos aos teus. Porque a vida é para ser vivida em constante assombro. E mais vale desistir se assim não for.

sexta-feira, 23 de Maio de 2008

Às vezes nada mais vale a pena senão o mar. E a sua lição de paciência compassada. A sua cor sublime, mitocondrialmente benéfica. E o seu aroma enebriante. Envolvente e profundo. Como todos deveríamos ser...

quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Este é o sítio
onde finalmente me encontro...
dou de caras comigo e mato saudades
do mar que toco,
das asas abertas a pique,
do vento na face,
do som da noite,
das maçãs frescas,
e do cheiro a leite
nas manhãs de sol...

Como posso viver sem a minha vida?...



Hoje a minha mãe dormiu com o meu pai. Tirou-o da cama de grades que o protege dele próprio e deitou-o na grande cama onde ambos se protegeram mutuamente a vida toda. Ela estava muito feliz... ele... jamais saberemos o que sentiu...

Dói-me o seu olhar vago, outrora onírico e raiado de uma luz colorida. Dói-me o seu silêncio. Dói-me a impotência de não o poder resgatar e trazê-lo para mim. Agarrar-lhe de novo a mão segura e pedir-lhe que nunca mais me largasse...

Sou apenas alguém que espera ser levado por um som...

Apenas as veias a transportarem, ao ritmo de uma sístole, o alimento das células. De todas elas. Que te pertencem, e consequentemente eu, como ser pluricelular que sou. Isto tudo para te dizer que cada uma das minhas células te respira. Ao ritmo de sístoles, de diástoles e de marés... umas vezes mais salgadas que outras...